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15 de maio de 2013

Antes de tudo, desculpem o sumiço!
Sei que estou devendo mais postagens com curiosidades, mas o tempo anda muito corrido... leituras e escritas atrasadas, agenda lotada para o ano todo e uma correria para ajeitar o lançamento de meu segundo livro, de forma independente. Aí, quando se vê, está tudo parado e abandonado.

Mas, cá estou com uma resenha que estou devendo há um tempo a um amigo. Queria ter feito antes, mas a faculdade me toma parte da energia restante depois de dias intensos de trabalho.

Bem, outra vez estou cá resenhando uma graphic novel, contudo feita em nosso amado (sic) país!

Evandro Menezes nos apresenta uma série de aventura e fantasia sobre belas gladiadoras lutando por liberdade e com motivações variadas. Mais do que uma história com beldades seminuas se matando numa arena, há uma trama com seres humanos, com vida e morte lado a lado.

Embora apresente um número mínimo de páginas coloridas e com uma arte impressionante, já somos fisgados de imediato para a situação principal: a impiedosa Malignah vence inimigos e obriga as mulheres a provarem suas habilidades em jogos de gladiadores. Apresentada a questão, conhecemos Rachel, uma corajosa rainha viking antes de também ser capturada.

Se a narrativa é rápida em quantidade de folhas viradas, a arte de Evandro faz de Gladiatrix - Liberdade um deleite aos olhos, com violência e erotismo em cada quadro e página olhada. É uma leitura que se inicia meio descompromissada e nos deixa órfãos pelo segundo volume justo quando estamos envolvidos. E isso pode ser um problema, pois, por mim, poderia ter sido um volume maior. Mas, algo assim, com a qualidade de impressão, não é barato, e nisso justifica a divisão feita pela Giostri.

A beleza desta graphic novel está no poder de misturar elementos históricos sem precisar fazer sentido, afinal, as falhas quanto a períodos e civilizações há sim, mas, deve-se ter em mente que a trama pode se passar num passado alternativo, num limbo no qual as civilizações se encontram para uma batalha de vida e morte, na qual belas mulheres provam que podem ser mais belicosas que o mais robusto gladiador.

De 0 a 10, ganha 8,6.

Numa rápida entrevista, Evandro nos explica suas motivações para escrever a série.


Como surgiu a ideia para Maidens?

A ideia para essa HQ surgiu de uma outra história minha chamada Heavy Dreams, onde havia uma mulher que passou dez anos lutando em uma arena, porém era algo mais voltado para fantasia, era um mundo onde havia magia. Para Maidens eu decidi trabalhar nessa ideia porém colocando tudo de forma mais realista, com cenário e personagens mais humanos, para mostrar quais seriam as consequências que esses duelos cruéis trariam para uma pessoa  mentalmente e fisicamente. Então eu criei uma versão mais dramática da minha própria história.
Mas o motivo principal era criar uma protagonista que mostrasse o potencial feminino para situações extremas, sendo esta obra um ataque direto ao estereótipo de donzela em perigo (onde surgiu o nome Maidens) que mostra mulheres perdidas e submissas aos homens, sempre esperando ser salva por um príncipe. Queria mostrar oquê eu acredito que seja uma verdadeira donzela, uma mulher que luta de todas as formas para salvar seu filho, e que jamais esperaria quem quer que seja para salvá-la.

Quais suas influências como artista?

Quando eu faço uma obra voltada para o público jovem eu geralmente desenho no estilo mangá, e quando é uma obra para adultos eu faço em estilo americano, porém no caso de Maidens uma da minhas influências foi uma mini série da DC Comics, chamada Lobo Sem Limites, onde o desenhista era Alex Horley. Essa HQ tinha um estilo de pintura digital extremamente realista, acho que essa foi minha maior inspiração para Maidens.

Quanto custa e onde posso adquirir?

Está à venda na Saraiva e outras livrarias por R$ 30,00.




Título: Gladiatrix - Liberdade (Série Maidens)
Autor: Evandro Menezes
Gênero: Aventura, Fantasia, Literatura Juvenil, Graphic Novel
Editora: Giostri
Nº de páginas: 28
Nota: 8,6
Comentários gerais: Compreendo o custo gráfico que deve ter a editora ao preparar um material com páginas tão coloridas, mas a quantidade reduzida de páginas prejudica um pouco o leitor na hora da aquisição.

As cenas de combate são magníficas, assim como as de sexo, e os desenhos de Evandro impressionam a cada quadro, valendo a conferida.

É quadrinhos escritos para leitores com um gosto por aventura e amantes de histórias de espada e feitiço.




12 de fevereiro de 2013

Eu reluto em ler HQs e graphic novels. Se não for algo fechado, que começa e termina ali, naquele volume, considero uma perda de tempo imensa, pois não tenho paciência de sair procurando pelos demais volumes. Foi assim que a DC e a Marvel perderam meu dinheiro, pois não curto gastar tempo e grana em algo que parece nunca ter fim. Li muito gibi e histórias que até hoje desconheço o começo ou o final ainda assim, mas com o passar dos anos fui largando.

E certo dia, no ano passado, encontrei numa banquinha na rodoviária aqui da cidade a graphic novel de Hellblazer Passagens Sombrias, escrita por Ian Rankin e ilustrada por Werther Dell'Edera. Houve dois motivos para que eu comprasse. O primeiro, claro, o fato de ser um volume único, completo e sem a necessidade de correr atrás de mais; e o outro foi minha curiosidade em ler algo de John Constantine, que já havia me fascinado naquele filme em que ele é moreno (?!) e americano (????).

Enfim, eu estava a pé naquela manhã e vim lendo a graphic novel da rodoviária até em casa, num percurso de uns dois quilômetros. E cheguei em casa e continuei lendo e lendo... e quando percebi, havia acabado! E posso garantir: é muito foda!

A trama gira em torno de um reality show em que coisas estranhas acontecem. É ele quem dá nome a história, pois trata-se de um programa cuja finalidade é mostrar os participantes em situação de medo. Mas, algo está errado e cabe a John Constantine descobrir o que é. Seria algo corriqueiro, se ele odiasse esse tipo de coisa, essa futilidade resumida em programas de subcelebridades. E aí reside a razão da história existir: é uma crítica a sociedade que perde a vida vendo pessoas desesperadas por fama e dinheiro.

Tudo pode ser dividido em duas partes: uma quando a trama começa e segue nos mistérios sobre a casa mal-assombrada e da grande revelação ao desfecho. E percebe-se logo a mudança de clima, a dimensão de um jogo infernal. Dizer mais é dar spoilers.

Para quem está acostumado com um ritmo frenético das HQs americanas ou japonesas, bom frear e ter conhecimento que a coisa se desenrola devagar, com um humor tipicamente inglês, sarcasmos e insinuações sexuais (leves, se comparadas a outra graphic novel do personagem que li). Em preto-e-branco, é uma aventura deliciosa para quem curte histórias com fantasmas e demônios.

De 0 a 10, recebe 9,8.

Título: Passagens Sombrias
Autores: Ian Rankin e Werther Dell'Edera.
Gênero: Suspense, Terror, Fantasia Sombria, Fantasia Urbana
Editora: Panini Comics
Nº de páginas: 218
Nota: 9,8
Comentários gerais: Bem executado, sobretudo nas transições de cenas e tempos. Possui toda uma atmosfera de contos de terror que se passam em casas mal-assombradas. Ganha pontos na segunda parte, com a mudança do clima. Mas, perde no desfecho, que fica meio aquém do esperado.

Vale a pena conferir e conhecer essa graphic novel fantástica!